sábado, 20 de dezembro de 2008



Só exponho minha dor no calor da melancolia
O sofrer é que me torna sóbria, intensa, viva.
Não sei se sou decadente, inerte ou coisa assim
Mas é no sofrer que mais me inspiro, é ele que me
traz sensibilidade. Isso é um tanto quanto mórbido
Mas é na minha morbidez que encontro saída
E é essa que liberta meus versos, minhas vontades
contidas, minha saudade reprimida.

Viviane Serrano

Silêncio

Escrevo teu nome no meu silêncio.
Teu nome é tudo, límpido sonho.
Meu silêncio o universo, um tom de cor
só meu, as vezes claro, as vezes gris.
Escrevo-te de várias formas, pinto-te
Num quadro só meu, que eu mesmo crio,
Imagino.

Escrevo-te no meu caderno, em alguma
canção aleatória, em algum sinal de imediato
em alguma esquina, um copo, um vicio, um
delírio insensato.
Escrevo-te na solidão do meu quarto,
numa taça
De vinho, num querer embriagado.

Escrevo-te, apenas escrevo-te em
versos que por vezes não dizem nada
e por vezes denunciam meu pensamento.
Escrevo-te no frio da noite, no gelado do
dia. Escrevo-te nas minhas bobagens
mais sadias e nas minhas inseguranças,
minha covardia.
Meu nome é uma incógnita arredia,
minha vida um vazio insistente e
meu silencio uma denuncia constante
desse amor bandido que trancou a porta
e não me deixa entrar;
Viviane Serrano

Não sei

Eu não sei,
Perdi o ar, o chão quando vi teu sorriso
Eu não sei, mas meus pés só querem
Teu caminho e minhas mãos o teu aceno
Me perdi na imensidão do teu mar e eu,
Tão submersa nessa razão desmedida
Anseio pelo calor do teu beijo; anseio
Por tocar teu olhar.
Eu não sei, és minha loucura insensata
Não te vi, não te conheço, mas te quero
Assim, como as estrelas o céu.
Assim como as ondas o mar.


Viviane Serrano

Sem saída

O que fazer se teus olhos me inebriam
Se teus braços me encobriram e fez-te
pra mim o mundo?
A solidão, que antes um muro,
jaz breve, como a primavera.
E eu,
tão perdida, embriagada
com teu beijo,
digo sim a todo instante,
já não sou como antes.
Outrora um barco perdido
a beira do cais,
agora, essa saudade infinita,
essa vontade que não passa,
que por vezes
me maltrata,
e por vezes me faz sorrir.
O que fazer se sinto medo,
se minha insegurança
por vezes te vê esvair,
como areia entre os dedos?
O que fazer se os segundos se
demoram e as lembranças se tornam
a meta pro meu coração, tão seu?
Se o que queres é que me tornes tua
eu digo sim, eu grito sim nessa
amplidão desmedida!
Agora já não há saída. Me perdi no
calor dos teus abraços e
minha alma já não mais
existe sem o teu amor.
Viviane Serrano

Não te quero mais;

Não te quero mais
Já estou decidida
Tirei teu cheiro da minha vida
Refis os planos, me refis dos enganos
Agora vai e não deixe pistas.

Não te quero mais
Já estou mais tranqüila
Essa entrega foi minha ferida
Minha paixão desmedida
Mais agora vai e não deixe pistas.

Viviane Serrano

Eu tento



Tento esquecer-te e te amo mais, cada vez que peço pra não lembrar sinto tuas mãos a tocar meu corpo, lembro dos teus olhos a me falar loucuras, da tua insegurança em assumir o mesmo. Lembro dos beijos, dos abraços, dos desejos, das mãos dadas em pleno passeio pelo centro. Lembro-me do teu colo, do teu cheiro, das tuas manias.
Lembro-me das danças até o raiar do dia, da bebida inebriando meus sentidos e me fazendo sentir você por inteiro. Lembro das despedidas e dos retornos, das confusões e desconfortos, das alegrias e tristezas, de um olá e um telefonema.
Lembro daquelas musicas que trocávamos como tema, da inveja dos outros pelo nosso lema. Lembro do tempo que era cruel, que passava ligeiro pra me tirar de você. Lembro de tudo e todos que vivemos, dos que torceram e distorceram por esse amor. Lembro das esperas, do relógio tão lento, do teu jeito, por vezes sereno por vezes arredio. Por vezes todo meu. Lembro de você dizendo fica, quando eu queria partir. Lembro de dizer eu fico, não saio mais de perto de ti. Lembro das lágrimas que caíram, das que não caíram e das que escondemos por medo e vergonha de se entregar. Lembro da nossa cama, que não era nossa quando teu corpo acorrentava o meu, que era da noite que se tornava eterna quando a gente se amava, ali, lentos, ferozes, avassaladores, amantes apenas. Lembro de te ver vestir a roupa e dizer te amo, até logo, volto logo, fica bem, te adoro. Lembro das tuas mentiras, de tê-las perdoado tantas vezes. Lembro das tuas verdades e de ter vivido mais um dia por acreditar nelas. Lembro de cada detalhe do teu corpo, cada detalhe do teu toque, o jeito como beija, como abraça, como acalma, como irrita, como me envergonha, como me conquista, como me faz sua cada vez que me toca com esse seu olhar. Lembro do teu jeito de andar, de se banhar, de se vestir, de se calçar, de dormir, de agradecer, de brigar, lembro de você, assim como você é. Lembro e de tanto lembrar não consigo apagar você de mim, ficastes em mim como febre que não passa. Ficastes a circular pelo meu sangue a viciar-me por teus defeitos e tuas qualidades. Lembro, lembro de ouvir-te dizer que eu era tua amplidão, tua esperança contida, tua razão desmedida, tua companhia mais agradável, tua sensação mais límpida, tua nobreza mais infinda, mas, não lembro de ter deixado a receita pra eu esquecer de um sentimento tão sublime. Lembro-me de dizer que eras minha vida, minha ilusão mais restrita, meu levitar de colibris, meu mundo, meu tudo, meu ar e que sendo meu ar, o dia que partistes, eu deixaria de viver, pois nada mais teria que me fizesse acordar a não ser a certeza que te teria ao entardecer do dia. E, lembro que dissestes que jamais eu te perderia que seriamos sempre um do outro, um pro outro e para os futuros, pequeninos que viriam. Que seriamos dois, um porto seguro do outro e que quando estivéssemos cansados, deitaríamos de mãos dadas e esperaríamos a velhice se cumprir. Acho, ligeira e triste desconfiança, que esquecestes o que disse, porque te vi acenar ao longe, mas não pra mim, pra outro alguém que passou. Te vi caminhar a noite, mas por outra estrada que não aquela que te trazia pra mim. Eu, ainda estou a sua espera, tento todos os dias me convencer de que não era amor, de que tudo acabou, mas essas lembranças não querem seguir viajem, batem a minha porta todos os dias, eu não abro, mas vem a noite eu tomo um cálice daquele vinho e sinto o gosto da tua boca, escuto tua voz a sussurrar no meu ouvido, teus passos se aproximando da porta, que ainda está aberta, teu cheiro que vai lastrando sobre meu corpo, então, embriagada eu durmo e quando acordo percebo a casa desarrumada, procuro por todos os lados, quarto, sala, banheiro, cozinha, varanda, você não está. Essa noite adormeceu em outra cama que não aquela que se tornava morta pra nossos corpos desfalecerem depois do prazer. Então eu choro, choro recordando a foto que você deixou quando partiu, choro a recordar nossa vida, a eternidade do que sentíamos quando estávamos juntos e choro por saber que ainda te amo e que as lembranças não me abandonam mesmo eu pedindo, implorando para partirem. Choro, porque o céu perdeu o brilho, minha vida agora é o gris, eu vivo a escrever poemas, a cantar aquelas canções de amor, a controlar meu coração dilacerado, a recolher os cacos que você deixou, a contentar-me com encontros casuais, a contentar-me em te observar de longe, a te namorar pela manhã quando toma o ônibus, a te ver voltar ao cair da tarde e se preparar para um encontro com amigos, a viver a vida simplesmente, como se minha ausência fosse algo banal que esquecestes no primeiro minuto em que não mais me teve. Descubro que saudade não se traduz quando esse frio me toma inteira e penso que poderia ser diferente, que poderíamos ser como combinamos, um do outro e para o outro. Penso que perdi o jeito, o tom, a cor e que eu sem você sou como o sol sem o amanhecer do dia. Só, triste, calado, cinza.
Viviane Serrano

Coração.



Coração, eu pedi tantas vezes pra não se entregar, te avisei, mas você não soube ouvir, só quis amar. E agora o que faço de mim? Minha alma perdeu a vida, minha vida perdeu a cor, todo o calor, e você continua a sonhar. Tenha dó de mim coração, chega de me fazer sofrer. Chega de tentar achar respostas, chega de teimosia, estou cansada de obedecer-te. Coração, ainda estou curando as dores de outrora, nem mesmo enxuguei as lagrimas, e está você amando outra vez. Você se esquece que está em mim e eu não sei o que faço pra te deter. Chega coração, eu te avisei pra não mais se apaixonar, depois quem sofre sou eu. Sou eu que tenho que contar as horas pra esperar essa dor passar, sou eu que tenho de conter o choro, de recolher os cacos que deixa pela casa. Sou eu que tenho que lavar o cheiro, que apagar os beijos, que fazer as malas. Esqueces que sou eu que fico na solidão desmedida, que corro e não acho pistas, que me escondo por entre esquinas, que vivo a buscar saídas pra me recuperar . Esqueces que depois de tudo ainda tens a mim e eu ainda te permito pulsar. Não tem perdão coração. Dessa vez você passou da conta, meu corpo também se cansa e você não para, não se cansa de tentar.
Coração sem perdão, vou trocar-te por outro, um que não seja tão criança, que não tenha tanta esperança, que não pense em tanto querer. Que não acredite tanto, que não se renda a encantos que se esvaem por ai.Um coração que me ame, antes de amar o outro, um coração que entenda que depois de terminado tudo é meu corpo que padece as dores por quem se foi. Um coração que aprenda rápido o sabor das ilusões e não mais repita o dissabor de vive-las. Um coração que não guarde magoas nem ressentimentos, mas, que respeite o meu direito de querer ou não querer. Para ti coração, o tempo se esgotou. Eu te quis batendo forte, vivo e você me quis assim, perdido, sem rumo, sem destino. Para ti coração, restou-me desejar-te sorte. Que em outro peito encontre acalanto. No meu agora, só um coração novo, que saiba viver sem sonhos, sem fazer planos. No meu só um coração que bata pra viver e não viva pra bater por alguém. No meu peito, só aquele que passe pelos sonhos como o vento.
Viviane Serrano

Comigo



É comigo que convivo e tento não julgar minha companhia. É comigo que mais me abro, que exponho minhas fraquezas, meus medos. É comigo que compartilho idéias, sonhos, pensamentos. É comigo que escuto o que só meu coração sabe, é comigo que passo as noites e os dias, a lamentar, a me alegrar, a chorar, a sorrir. É comigo que te encontro nas noites vazias, e é comigo que também comemoro um passo teu, um gesto, uma palavra de ânimo. É comigo que julgo os teus atos e também é comigo que resolvo se ponho ou não um fim pra uma história. Foi comigo que discuti um perdão que te dei, um não, um sim, uma loucura desmedida, uma intensa covardia. É comigo que agora escrevo, é comigo que tenho que admitir os erros, e, é comigo que me entendo, mais do que qualquer pessoa. Sou eu que sei até onde meus pés conseguem ir, até onde meu peito consegue amar e até onde me permito sentir sozinha. É comigo que agora concordo que tudo tem limites e é comigo que decido que não mais te quero. Comigo, apenas comigo, porque foi em mim que descobri uma força que julgava encontrar em você, foi em mim que descobri a tua covardia. Foi em mim que me acolhi, que me aconcheguei quando o sono fugia e a saudade me consumia por inteira. Foi comigo, só comigo porque na verdade você nunca esteve aqui. Eu achei que teu amor era meu refugio, minha fonte de viver, mas, descobri, no gelado desse quarto, que estive em desencontro comigo mesma, e agora, ao me encontrar, descubro que posso tudo e teu olhar, me traz lembranças, hoje mortas, de um tempo que já não quero recordar.
Viviane Serrano