sábado, 20 de dezembro de 2008

Comigo



É comigo que convivo e tento não julgar minha companhia. É comigo que mais me abro, que exponho minhas fraquezas, meus medos. É comigo que compartilho idéias, sonhos, pensamentos. É comigo que escuto o que só meu coração sabe, é comigo que passo as noites e os dias, a lamentar, a me alegrar, a chorar, a sorrir. É comigo que te encontro nas noites vazias, e é comigo que também comemoro um passo teu, um gesto, uma palavra de ânimo. É comigo que julgo os teus atos e também é comigo que resolvo se ponho ou não um fim pra uma história. Foi comigo que discuti um perdão que te dei, um não, um sim, uma loucura desmedida, uma intensa covardia. É comigo que agora escrevo, é comigo que tenho que admitir os erros, e, é comigo que me entendo, mais do que qualquer pessoa. Sou eu que sei até onde meus pés conseguem ir, até onde meu peito consegue amar e até onde me permito sentir sozinha. É comigo que agora concordo que tudo tem limites e é comigo que decido que não mais te quero. Comigo, apenas comigo, porque foi em mim que descobri uma força que julgava encontrar em você, foi em mim que descobri a tua covardia. Foi em mim que me acolhi, que me aconcheguei quando o sono fugia e a saudade me consumia por inteira. Foi comigo, só comigo porque na verdade você nunca esteve aqui. Eu achei que teu amor era meu refugio, minha fonte de viver, mas, descobri, no gelado desse quarto, que estive em desencontro comigo mesma, e agora, ao me encontrar, descubro que posso tudo e teu olhar, me traz lembranças, hoje mortas, de um tempo que já não quero recordar.
Viviane Serrano

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